Caminho – Por Henrique Córdova

Sem saber por onde ando,
Pela inconsciência do meu presente,
Mergulhado num turbilhão de ideias,
Debato-me entre atos mecânicos e inconsequentes,
Quando, sem mais nada e num repente,
A palavra caminho assalta e avassala a minha mente…
Parece perseguir-me para apoderar-se de mim
E obrigar-me a segui-lo, sem dizer-me para que lugar…
Caminho, caminho e caminho sem mover-me
E sem saber, nem ao menos imaginar, qual o seu destino.
Não obstante, sigo, confuso,
Um trajeto difuso,
Para,
Do alto de uma montanha de areia,
Inesperadamente,
Divisar a esbelta sereia flutuando no ar
E de cujos cabelos dourados partem raios solares,
Que iluminam faces hospedeiras
De fascinantes olhos azuis
Onde, entre linhas paralelas, caminhos sem fim,
Bandeirolas de haste curta,
Ancoradas em bolinha negras,
Movimentam-se harmoniosas
E expressam uma sedutora canção,
Que não escrevi.
De cuja boca, ornamentada por finos lábios vermelhos,
Efluem mil inaudíveis poemas divinos;
De hirtos seios, desenhados em linhas mágicas,
Através acessíveis mamilos róseos,
Brota o leite essencial da vida.
De cujas mãos prestidigitadoras nascem afagos apaziguadores,
Alimentos de incontáveis sabores,
Flores de todas as cores;
De cujo ventre talhado à incubadora,
Assimilada a semente de tudo,
Explode o homem,
Para…
… Seguir o seu caminho…

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.