O canto do cisne _ Por Henrique Córdova

O Supremo Tribunal Federal, alheio às suas funções constitucionais, através do protagonismo individual de alguns de seus integrantes claramente marcado pela ideologia que os domina e com a qual homenageiam os que os indicaram para a suprema judicatura, está empurrando o Brasil para uma iminente disrupção institucional.

São decisões monocráticas temerárias, quando não provocativas e sem fundamentação jurídica sistêmica, destinadas a confrontar o Poder Executivo no uso de suas atribuições consagradas histórica e legalmente.

Só a resiliência de um Presidente com convicções democráticas arraigadas e seu espírito de tolerância, que contrastam com seu temperamento, permitem-lhe assimilar os golpes baixos oriundos da Suprema Corte, que visa defenestrá-lo da Presidência da República, e que já impõe aos brasileiros a mais odiosa das ditaduras a pretexto de, cinicamente, defender a democracia.

Como se não bastassem as decisões reprocháveis, perigosas e arrogantes do Ministro Alexandre de Morais, vemos o “decano” Celso de Melo, no apagar das luzes de sua judicatura, esmerar-se na produção das mais arcaicas formas de agressão ao Direito, ao País e à autoridade suprema do Brasil, escolhida em eleições limpas pelo povo brasileiro, que merece o respeito de todos, inclusive dos nomeados, muitas vezes sem méritos, pelos que ocuparam o mesmo cargo de Jair Bolsonaro.

Mas, Celso de Melo é conhecido, à saciedade, por quantos acompanham sua história menos lustral que sombria e credora de qualificações indignas de serem invocadas, em homenagem ao lusco-fusco de seu definitivo crepúsculo.

É lamentável que ele encerre, pelo decurso de seu tempo, melancolicamente, a carreira de magistrado, sob o som das trombetas de uma mídia pobre e podre, mais podre que pobre, mas que soa como música aos seus vaidosos ouvidos e faz com que seu pescoço se alongue, em forma de interrogação invertida, como se perguntasse ao passado por que tudo não foi diferente.

Pensa, o Ministro Celso de Melo, que suas últimas manifestações de exacerbado ódio ao Presidente da República o salvarão do chicote da História. Comovente engano. Quem, como ele, rende homenagens à mídia oportunista e paga o preço da ilusão com o sacrifício dos fatos penará, no mundo da memória, como alma desvalida, infelizmente.

1 COMENTÁRIO

  1. Boa tarde,
    Parabéns pelo competente comentário, respeitoso do STF. Mais respeitoso do que as decisões tomadas por seus integrantes. Infelizmente.

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