Águas de abril – Por Henrique Córdova

Vieram fortes,
Torrenciais e bravias.
Persistentes e barrentas,
Deixaram os rios desfigurados,
Inundaram as chapadas,
E despencaram céleres,
Espumosas,
Das ladeiras íngremes.
Arrastaram bezerros,
Escorreram pelas canhadas,
Depositaram, na campina crestada,
Mortos e ressequidos,
Brilhantes ao meio dia,
Peixinhos dourados
E outros, já descoloridos,
Pequenos animais
E perderam-se na trajetória errante,
Governadas pela fúria caótica
Da revolta incontrolável dos elementos.
Alguém há de encontrá-las,
E há de bebê-las.
Nas entranhas arenosas
Do solo abandonado,
Pelos frutos não colhidos,
Todos sabem que elas existem
E que brotarão cristalinas
De fontes aleatórias, depois identificadas,
Ou, evaporadas, cairão de nuvens remotas,
Outra vez.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.