Boleeiro de fogo – Por Henrique Córdova

Sobre a sela de prata, com rédeas bem firmes, acionando bridões de ouro,
Sem parar, mais para o alto, corcéis de nuvens cinzas foram conduzidos
Ao presídio indevassado do coração da frágil e linda princesa do colo louro,
Donde o boleeiro surpreendeu enraizados suspiros de príncipes seduzidos.
E os levou, na carruagem mítica, para estrelas longínquas e sem nome,
Onde, ágeis, fecundaram grandes flores jamais percebidas e tocadas,
Para delas nascerem almas transparentes e infinitas em que o amor se consome,
No sacrifício fatal, que prenuncia a ressurreição de matérias maceradas.
Elas atravessaram a aléia de velhos plátanos e, devagarzinho, apalparam sua fronte fria
Para nela depositar, com ardor, o beijo simbólico da inesquecível e épica história para sempre perdida,
Nos labirintos da vida dos redimidos, pelo sangue vertido, todo, na magna batalha sombria,
Em que se abre, em gritos lancinantes e se fecha em cicatrizes marcantes, a chaga pelas armas produzida.

Enquanto silentes, inertes e multiformes…
…As pedras pela estrada espalhadas foram, sem consideração, afastadas para as irregulares laterais…
Dos inóspitos caminhos reais e disformes
E aí, à eternidade deixadas, por ninguém mais foram lembradas ou tangidas,
Certamente, desguarnecidas pela memória de poucos ou de muitos dos seus misteriosos ancestrais,
E desgastadas pelas intempéries milenares dos céus infinitos geradas e deles caídas,
Antes que as vozes criadoras de fontes inexauríveis fossem definitivamente ouvidas…

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