Previsões – Por Henrique Córdova

Leio, mas não sei interpretar, a linguagem dos astros:
O horóscopo cotidiano não me confirma o presente,
Nem me revela, sequer genericamente, o amanhã.
A incerteza do crucial minuto seguinte, embora breve,
Batiza de aventura a história; seus fundamentais estros
Faz, da angustiante expectativa do mágico ausente,
Uma frustração trágica ou esperada gratificação sã.
Os números, em combinações cabalísticas,
Maquinam ilusão aos crentes; impõem movimentos e recuos:
Impelem os que correm riscos; paralisam os cautos demais.
O Tarô, com suas cartas e seus símbolos, indica caminhos mutantes e misteriosos…
Quem os percorre pode cair no suposto lago das verdades insondáveis
Ou no marasmo das fantasias, que se perdem em oceanos imemoráveis.
A provável compatibilidade dos infinitos mapas astrais,
Pela intricada sinastria desenhados, descreve destinos antagônicos ou conciliáveis,
Que se cumprem, infalivelmente, em braços matriciais
E não encontram, na paz ou na guerra, a nitidez e a rigidez de seus traços imutáveis…
…Somos filhos e ínfimas partes do Universo em sequencial expansão e beleza
E, inconscientes, seguirmos o secreto mapa é um imperativo sagrado da natureza.

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