O cenário político no Paraguai sofreu uma reviravolta drástica nesta quinta-feira (5). O presidente Santiago Peña anunciou oficialmente a sua renúncia ao cargo. A decisão ocorre em meio a uma forte pressão institucional e ao avanço de um processo de impeachment no Congresso.
Crise no setor bancário desencadeia pressão política
A instabilidade política agravou-se de forma acelerada devido a uma grave crise no sistema financeiro. Tudo começou quando o banco digital Ueno encerrou as suas operações de forma repentina. A situação deixou milhares de clientes completamente sem acesso ao próprio dinheiro.
Diante do colapso, revelou-se que Peña havia sido acionista do grupo responsável pelo controle da instituição financeira. A oposição política passou a acusar diretamente o Banco Central paraguaio de encobrir irregularidades sistêmicas.
Congresso articula impeachment e governista apoia saída
Com o desgaste insustentável, a oposição uniu forças com setores da própria base governista. O Congresso do Paraguai iniciou os trâmites formais para votar o impeachment tanto de Santiago Peña quanto do seu vice.
Perante a iminência da destituição, o ex-presidente optou por deixar o cargo para preservar a ordem institucional.
Discurso de renúncia e apelo à estabilidade nacional
Num vídeo divulgado publicamente, Santiago Peña pediu desculpas à população. O político conservador justificou que a sua saída voluntária visa garantir a estabilidade do país.
”Hoje, devemos mostrar, mais uma vez, que respeitamos a democracia”, declarou o ex-presidente no pronunciamento oficial.
Conservador convicto, Santiago Peña tinha assumido a liderança do governo paraguaio em 2023. Novas articulações políticas devem decorrer nas próximas horas em Assunção para definir os rumos da sucessão presidencial.
Por São Joaquim Online