Germinal (Emile Zola) – Por Henrique Córdova

Ao terminar a leitura do Germinal, de Émille Zola, não precisei fazer qualquer esforço para constatar a identificação de meu pai com ele. O tema do livro é a luta de classes, sob a ótica do socialismo internacional, como promessa de redenção dos operários.
Etienne, vagando pelas estradas da França, chegou a Montsou, onde encontrou Boa-Morte, junto à mina carvoeira de Voreux. Ali, por uma circunstância inesperada e no dia seguinte à sua chegada, obteve um emprego. Admirador de um líder socialista, militante da Internacional, tornou-se um agitador, que conseguiu levar os mineiros à greve por melhores salários.
Depois de muitos sofrimentos, de heroísmos inesperados, os grevistas foram vencidos pela resistência dos capitalistas, que os abateu com a força irresistível da fome.
Etienne, além da derrota, perdeu Catherine, o amor que, por timidez, deixou muito tempo com Chaval, o afoito e bruto. Sem emprego e sem amor, parcamente subsidiado pela Internacional Socialista, foi viver em Paris, onde deve ter seguido suas convicções.
O livro, uma obra prima da literatura universal, muito bem escrito, retrata o roteiro da luta de classes que, no caso, termina com a derrota humilhante dos trabalhadores, após dores de todos os matizes.
Meu pai, quando o leu, era um defensor das teses socialistas e deve ter encontrado em Zola tantas emoções quantos foram os sinais que deixou nas páginas do livro, amarelecidas pelo tempo e para sem

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