Amazona – Por Henrique Córdova

Às correrias,
Montada em potro bravo,
Sem o menor receio de cair,
Em domingo solar, a bela menina faceira
Desceu, sem destino certo, a extensa ladeira.

Furou, impávida, a imensa cortina luminosa,
Permitiu que o vento, sem anteparos, projetasse,
Contra o translúcido firmamento, a figura esguia
De uma amazona lendária e, ainda hoje, sem nome.

De lá para cá, muitos anos se passaram,
Muitas luas, prenhes de raios brilhantes,
Atenuaram a escuridão das noites frias,
Sem apagar, das imaginações permanentes,
A efígie descolorida da primaveril feiticeira.

Mais tarde, quando o sol apagar a luz dos astros,
Quando os assaltos amortecerem todos os estros,
A amazona faceira, feiticeira, abandonará o potro
E descansará, para sempre, no fim da ribanceira.

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