O autoritário leniente – Por Henrique Córdova

O paladino da decência republicana, Jair Bolsonaro, tido como político com vocação autoritária, em suas frequentes marchas e contramarchas, demonstra subjacente insegurança em alguns arroubos afirmativos, sem refinamentos que o prejudiquem e uma inegável vontade de acertar em tudo o que faz.

Seu patriotismo, sua honradez e seu inegável propósito de servir ao povo brasileiro são cristalinos e facilmente constatáveis. Seus recuos trazem a marca do açodamento e da humildade. A sua vontade de agir é tão impetuosa que os resultados de sua ação padecem, muitas vezes, de defeitos insanáveis e precisam ser desfeitos. Nestas ocasiões, ele revela uma comovente humildade e naturalmente desfaz o que julga mal feito.

Este comportamento, todavia, enseja interpretações que denunciam deficiência na sua capacidade ao tomar decisões e atraem a agressividade, porventura contida, de seus adversários. Não por acaso, em pouco tempo de governo, o Presidente foi abandonado e legado às sombrias da solidão.

O campo de suas atribuições passou a sofrer incursões do Congresso Nacional e interferências audaciosas e inéditas de Ministros do Supremo Tribunal Federal, que, monocraticamente, proferiram decisões mutiladoras do orçamento nacional e ampliadoras de despesas, através da manutenção de benefícios sociais sob escrutínio de legitimidade. Se o Presidente reagiu às investidas do Congresso Nacional e chegou a vetar disposições deste, que lhe pareciam descabidas, teve que negociar e transigir para evitar um sério confronto institucional.

Quanto às decisões dos Ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Morais e Marco Aurélio Melo, a primeira, do primeiro, referente à suspensão do pagamento da dívida do Estado de São Paulo para com a Federação e a segunda, do segundo, atinente à proibição de restrições no pagamento do “bolsa-família”, o Presidente as acatou, em silêncio.

As tergiversações e leniência presidenciais, não obstante, encorajaram governadores, como Dória e Caiado, candidatos à sua sucessão, a confrontá-lo, em movimento oportunista e cortejador de uma mídia franca e desavergonhadamente tendenciosa e hostil ao Presidente, que lhe nega acesso indevido ao Erário.

Não fora a reação de Bolsonaro à temerária, despropositada e inoportuna agressão de Dória, em reunião com Governadores, a crise sanitária ensejada pelo “coronavírus” ter-se-ia transformado numa catástrofe política definitiva. Não aconteceu, porque Bolsonaro provou, com sua reação forte, firme e categórica, que pode ser Presidente do Brasil e que Dória jamais deve sê-lo. Quanto ao Caiado, restou a decepção para os que não conhecem o seu passado político.

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