Angústias de Paulo Guedes – Por Henrique Córdova

A literatura universal revela, em suas várias formas de expressão, abusos do poder público e de entidades privadas, para não falar de pessoas, cometidos durante cataclismos de grandes proporções, epidemias ou pandemias.

Oportunistas e aproveitadores, infelizmente, sempre estão a postos e dispostos para tirar proveito em meio às desgraças coletivas. Entre outras justificativas torpes para essas desumanas e criminosas ações poder-se-ia recordar a afirmação de Roberto Campos, segundo à qual, “nada é tão agradável quanto gastar o dinheiro dos outros”.

Lembrei-me dele ao acompanhar a verdadeira batalha dos Senadores Federais, na noite de Sábado, pela partilha de Sessenta Bilhões de Reais que os nossos Representantes e os dos Estados pretendem distribuir entre os Municípios e os Estados, por conta da Federação, ou seja, por conta dos brasileiros e a título de compensação por perda de receitas e de custear os gastos extraordinários e imprevistos com a pandemia…Parece que todos esquecem de que a União também perderá receitas.

Governadores entraram na briga e acionaram os representantes de seus Estados. Apenas João Dória, cuja prosápia pandêmica começou por dizer que São Paulo representa 40% de tudo o que o Brasil produz, com o que humilhou as demais unidades da Federação, deixou de postular recursos da União… Contudo, mandou que seu Vice o fizesse por ele e ele fez. O Presidente do Senado afirmou que Rodrigo Maia não gostou de sua atitude, que rasgou e substituiu o cheque em branco que ele, Maia, colocara nas mãos de Prefeitos e Governadores…Mas, continuou Alcolumbre, “embora chateado, ele aceitará”.

Paulo Guedes, sem deixar de ficar chateado, engolirá o batráquio e terá que digeri-lo. Não pretendo dizer que a União, a detentora da máquina de fazer dinheiro, deixe de socorrer os Estados e Municípios, em face do mal que nos assola.

Afirmo, apenas, que se o Senado Federal não cumpre o seu natural e histórico papel, ao revisar e colocar bom senso numa decisão da Câmara dos Deputados, a farra com o dinheiro dos brasileiros estava prestes a acontecer em plena pandemia… João Barbalho, repito sempre, em seus Comentários à Constituição de 1891, cita: “As instituições por melhores que sejam, não dispensam os homens de ser sisudos”.

Enquanto houver pretexto para inviabilizar o Governo Bolsonaro, estejam certos, o Congresso não deixará de aproveitar. Assim agem os frutos da democracia brasileira.

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