“Põe dinheiro na bolsa…” – Por Henrique Córdoava

No início do século XVII, o maior dramaturgo Inglês, William Shakespeare, na tragédia – Otelo – exibe um hábil, ambicioso, invejoso, inescrupuloso, manipulador e pérfido personagem, Iago, capaz de destruir reputações, aspirações, ideais e vidas para superar seus malogros, satisfazer seus desejos e alcançar seus objetivos, usando, como instrumento básico, o dinheiro.

Não foi, Shakespeare, o único gênio da literatura universal a mostrar o poder deletério do dinheiro, quando usado para fins destrutivos e ilícitos. Dostoiévski, em “Crime e Castigo”, através do personagem central de seu enredo, Raskolnikof, que matou a velha agiota, Lizavieta, para roubar-lhe o dinheiro com que explorava os que nas mãos dela depositavam seus bens, como garantia de empréstimos a juros pesados, mostra ao que uma necessidade exacerbada e doentia pode conduzir para obter o dinheiro.

Ainda, em “Os irmãos Karamázovi”, o célebre autor russo volta a tratar do dinheiro como mobilizador de paixões, vilanias, prazeres e desgraças. Incontáveis outros célebres escritores versaram e dramatizaram o mesmo tema, que continua a ser atraente porque o dinheiro está presente no cotidiano de todos os seres humanos, ainda que por sua falta. O dinheiro, enfim, como intermediário eficaz entre a lavoura e o estomago, entre o livro e o leitor, entre o abrigo e o frio, entre a roupa e o corpo, entre os olhos e as telas de cinema, entre tudo e todos, embora neutro, pode ser um bem ou um mal, conforme quem e como o usa e para que.

Há quem dele faça seu deus e objetivo da vida. Detê-lo confere poder e capacidade de influir. Há quem o ame, por ter e quem o deteste por não o ter e invejar quem o tem. Seria impossível listar o que se pode fazer com o dinheiro e o que se pode sofrer sem ele. Impossível prever tudo o que o dinheiro pode fazer conosco e o que podemos fazer com ele. Sua atração, todavia, é inegável.

Seus efeitos sobre o ser humano vão da avareza de Monsieur Grandet à prodigalidade de um imprevidente e mal orientado ganhador da Mega-sena. O que dizer-se, então, das montanhas de dinheiro, que somem e se renovam a cada ano dos e nos erários federal, estaduais e municipais?

São, via de regra, a atração dos seres chamados de políticos, que as pretendem administrar em favor da sociedade que as gera, nem sempre com honestos propósitos e bons resultados…

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