Silêncios – Por Henrique Córdova

Longos silêncios guardam segredos profundos,
Escondem sorrisos alegres, outrora esboçados,
Lágrimas profusas portadoras de dores cruéis,
Cores rubras espalhadas pelas faces quentes,
Palidez glacial recortada de múltiplos rictos.
Rareiam os seus cerimoniosos momentos,
Diminuem os significativos sorrisos,
Secam as lágrimas derramadas.
Há silêncios que homenageiam, outros que apedrejam;
Silêncios dourados da gulodice e cinzas da frugalidade;
Silêncios ansiosos dos jogadores ao lançarem os dados;
Silêncios curiosos antes da palavra dos oradores sábios;
Silêncios contritos que precedem as devotas orações;
Silêncios aflitos que precedem as sentenças irrecorríveis;
Silêncios impostos por pessoas ou sérias circunstâncias;
Silêncios oportunos e compassivos diante do sofrimento;
Silêncio rigoroso e repressivo, em face da prepotência;
Silêncios em prosa e versos depositados em livros milenares…
Desnecessário reunir todas as razões e formas de silêncio:
Todos os silêncios, como rios para o mar, correm ao sepulcral…
Silêncio.
Aí, paradoxalmente, Aristóteles, Jesus e Freud, começam a falar…
Para Sempre, porque serão eternos para cada geração!

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