Contexto, no mínimo – Por Henrique Córdova

Há muitos anos, colhi uma lição oportuna e útil do filósofo espanhol – Ortega y Gasset, em que ele afirmara: “Eu sou eu e minha circunstância”. Na verdade, nada existe isoladamente ou fora de um universo referencial. Por isso, mesmo no jornalismo informativo, através do qual os fatos são divulgados em sua possível pureza para eventual análise e julgamento, é desejável um mínimo de contextualização.

Esta é imperiosa quando a informação é opinativa e, portanto, traz uma provocação à análise e ao juízo. É desprezível a informação opinativa sem a apresentação das circunstâncias que cercaram os fatos no momento em que ocorreram, pois, o mundo factual nasce de causas e o conhecimento destas é necessário à compreensão perfeita dele.

Assim, é estranhável que alguém transmita ou comunique um fato e opine sobre ele sem mostrar as reais condições que o produziram e as que o cercam. Canso de ouvir jornalistas citarem fatos e opinarem sobre eles sem a devida contextualização dos mesmos, muitas vezes maliciosamente.

Vejo, agora, com muita tristeza e as vezes com revolta, pronunciamentos de políticos e até de juízes sobre a omissão do Presidente da República no enfrentamento da pandemia. Gilmar Mendes, que não merece qualquer crédito de alguém, acusou o Presidente de genocida e, recentemente, Carmén Lúcia atribuiu aos políticos e ao governo a responsabilidade pela morte de mais de 100.000 brasileiros causada pelo vírus (Covid-19)… Esses ministros do STF têm memória curta ou são mal intencionados, pois foram eles mesmos que demitiram o Presidente da República do comando das ações contra a pandemia ao atribuí-lo a governadores e prefeitos, sob o argumento de que estados federados e municípios são autônomos, esquecidos de que o vírus desconhece fronteiras, limites e ficções políticas…

Desprezaram as circunstâncias que reduziram o Presidente a provedor de recursos a estados e municípios para multiplicar os casos de desvios que ainda hoje espocam em quase todos os cantos o País. Não menos grave e desonesto é um jornalista afirmar que o Presidente da República se cercou de militares, ao convocar generais do Exército Nacional para ministérios importantes, com a intenção de estabelecer um governo ditatorial e autoritário sem mencionar o seu propósito de evitar as nefastas barganhas políticas com o Congresso Nacional e certos Partidos.

Não nos é desconhecida a razão verdadeira pela qual o atual Presidente foi eleito e que se resume no combate à sistematizada e generalizada corrupção que governos anteriores instalaram no País, depois que Fernando Henrique Cardoso “abriu os trabalhos” ao comprar do Congresso Nacional a aprovação de emenda constitucional que autorizou a sua reeleição.

De lá até o final do governo Temer, o povo brasileiro viu seu suor escorrer por dutos variados e sutis construídos pela sórdida parceria público-privada estabelecida para pilhar o Erário. O Brasil, então assaltado, viu no Deputado Federal Jair Messias Bolsonaro, com sete mandatos consecutivos e sem qualquer relação promíscua com doadores de recursos financeiros para campanhas eleitorais, uma esperança de estancamento da hemorragia que estava exaurindo e debilitando a Nação.

Bolsonaro foi eleito e, ao contrário do que muitos pensam, com a consciência das dificuldades que encontraria para enfrentar interesses disseminados e enraizados no dinheiro público, começou uma luta tão feroz e perigosa quanto é difícil imaginar. Desde logo, teve que enfrentar um Congresso acomodado aos métodos corruptos de gerência do Estado e que, apesar de renovado, não deixou de ser comandado pelas minorias que dele se apossaram e, reeleitas, nele consolidaram o comércio da elaboração legislativa e autorizativa de ações executivas mediante compensações legítimas e outras nem tanto.

Entre elas, duas sempre foram as principais: as emendas orçamentárias de parlamentares que, no sistema de freios e contrapesos, correspondem a verbas liberadas pelo Executivo para os fins destinados pelos seus autores e a indicação de nomes para o preenchimento de cargos em comissão e dirigentes de empresas públicas. A rigor, em nenhuma das duas práticas a corrupção está necessariamente presente.

No caso das emendas parlamentares, elas respondem, ou deveriam responder, a necessidades locais que os parlamentares, em atenção aos seus eleitores, pretendem satisfazer. São verbas destinadas a instituições de caridade, escolas, obras municipais e outras de várias naturezas.

A corrupção aparece quando o Deputado ou o Senador destina recursos para um hospital e, quando eles são liberados, vai receber uma parte ou pede que dita parte seja destinada a quem não deveria recebe-la. Grave é, também, o ato parlamentar que consigna no orçamento verba para determinada obra em conluio com empreiteira, mediante compensação.

Quando se trata de indicação para cargos em comissão ou diretorias de empresas públicas a corrupção aparece quando os indicados o são para cometer irregularidades em benefício de quem os indica e/ou também é beneficiário. Contra todas essas práticas, conhecidas à saciedade por Bolsonaro, o fizeram inimigo imperdoável do Congresso Nacional, que se viu forçado a enfrentar uma nova realidade nascente no País. Acresça-se a esses fatos a revolta persistente de parte considerável da grande mídia desmamada do Erário, que alimentou e alimenta dissídios entre os Poderes e promove políticos medíocres seduzidos pelos holofotes da provocação ou da vingança…

Assim, o Presidente viu-se isolado e procurou protege-se sob a guarda da garantia constitucional às instituições, convocando militares para postos chaves no governo. Conhecedor dos princípios que nortearam a sua formação e que persistem, fundamentou-se na identidade deles com seus ideais para escolher seus auxiliares mais próximos e, nessa opção, foi rigoroso. Deste modo, distanciou-se do mundo político e acrescentou obstáculos às suas ações. Getúlio Vargas, ao ser perguntado como formava seu ministério para bem governar, respondeu: “ Metade do ministério componho com homens capazes e metade com homens capazes de tudo”.

Bolsonaro, ao formar o seu ministério, esqueceu dos “ homens capazes de tudo”. Compreende-se, então, porque encontra tanta oposição ao seu governo. O STF é dominado por ativistas políticos de esquerda cega que cada vez mais se desviam de suas funções jurisdicionais para uma inédita produção de decisões ideologicamente tisnadas, além de interferirem no Executivo, ferindo uma Constituição cuja guarda justifica as suas existências.

O Congresso Nacional, à falta das práticas de barganha, viu-se diante de uma nova realidade à qual reluta em adaptar-se. Se, apesar de tudo, o governo prossegue em seu caminho, a parte ressentida da grande mídia teima em atacar grosseiramente o Presidente Bolsonaro, sem acordar para o fato de que o povo está ligado nas redes sociais e que, quanto mais o Bolsonaro mostra continuar sendo o que é, mais o aplaude e apoia, enquanto ela mais se deprecia e mais é abandonada a seu destino sombrio.

Pessoalmente, continuo convicto de que todos os brasileiros lúcidos devem apoiar fortemente o Presidente que foi eleito para estancar a corrupção generalizada no Brasil e está cumprindo a sua promessa ainda que tenha de enfrentar a aliança agônica de uma plutocracia urbana decadente com uma mídia debilitada financeiramente desde que os recursos públicos deixaram de fluir irreversivelmente para os seus cofres como pagamento da criação de fantasias alienantes na e para sociedade.

Quem procura combater o governo com adjetivação subalterna e subjacentemente saudosista do dispensário público desonesto e seletivo está viajando num passado de impossível recuperação. A história tem os seus próprios caminhos para marchar “instintivamente para a luz”.

De minha parte, embora considerada a minha sincera irrelevância, só deixarei de apoiar e defender o Presidente Bolsonaro no dia em que ele embolsar ilegitimamente, no que não acredito, um centavo da República…Pois, o mais, não passa de inconformismo e vingança com bandeira de outras cores.

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